"POETAS DO ANO" é um concurso de poesia promovido pela Creative Books
Vamos fomentar o interesse pela poesia, incentivar a escrita e divulgar os autores de poesia escrita em língua portuguesa.
FUNCIONAMENTO
1. O concurso decorre entre os meses de janeiro e dezembro de 2026, com entregas mensais de poemas por parte dos participantes;
2. Cada participante pode apresentar um poema por mês;
3. A participação é efetuada até às 23h 59min do último dia do mês anterior ao do concurso, através do formulário abaixo;
5. A votação é aberta ao público e decorre mensalmente entre as 12h do primeiro dia e as 23h 59min do último dia do mês;
6. Os 10 (dez) poemas mais votados de cada mês serão publicados em livro.
Consulte o regulamento 2026 completo.
METAS
Escreve poesia? Participe no concurso “Poetas do Ano” e veja o seus poemas publicados em livro.
LIVRO
Os 10 (dez) poemas mais votados de cada mês são publicados em livro pela Creative Books, numa antologia homónima, sem qualquer custo para os participantes.
PROMOÇÃO
É oferecido um pacote promocional de publicação ao autor do poema mais votado. As características serão anunciadas mensalmente na página web da Creative Books.
DIPLOMA
Os autores dos 3 (três) poemas mais votados do mês recebem um diploma digital de Poeta do Mês.
PARTICIPE JÁ!
PARTICIPAÇÃO
Efectue a sua participação através do formulário. Relembramos as carecterísticas da obra:
1. A participação é submetida com uma declaração de compromisso do candidato em como é o único autor da obra original e inédita e que a mesma nunca foi publicada em papel ou nas plataformas digitais, constando da mesma o nome completo do autor, a sua nacionalidade, número de documento de identificação e respetiva validade;
2. Os poemas a concurso devem ser: escritos em língua portuguesa; inéditos; de tema livre; intitulados e assinados;
redigidos com o tipo de letra Arial, tamanho 12, espaço e meio entre linhas, não devendo ultrapassar uma página A4.
Submeta o seu ficheiro em formato .docx (word) ou .pdf. Consulte o regulamento completo.
VOTAÇÃO
No canto abrupto dos estorninhos,
a terra suspira, estremunhada,
enquanto o silêncio se desfaz
nos montes incendiados de laranja.
Uma lagoa de bruma
assenta sobre a pele eriçada do vale.
Demora-se,
conhece o peso rude da cercania.
Pelas encostas, os pinhos calam
um desejo oculto na luz diáfana,
na resina e sombra da caruma adormecida.
Entre duas fragas,
abre-se na terra arenosa um trilho ténue.
Não conduz.
Persiste.
Rasto de um vulto morno
na neve derretida.
O vento atravessa o esplendor da Beira,
despenteia, arrepia,
afaga a geada
e deixa no chão um hálito rasgado.
Traz o que foge das mãos,
apodrece na memória.
Cada folha, cada tronco,
tem nos veios o vigor dos lobos.
As giestas estremecem sozinhas.
Há uma curva na montanha
traçada por um gesto quase humano:
hesitante,
terno.
As levadas descem ao rio,
roçam-lhe as margens,
entram pela boca verde dos salgueiros.
O sol rompe a névoa sem ruído.
Inclina-se,
bebe o azul brando do orvalho,
prova a primeira água do dia.
Fica nos campos um brilho espesso
que cintila nos poros do granito.
Mas é no penedo mais alto,
no dorso cinzento da serrania,
que o mundo se recolhe.
Nenhum passo.
Nenhuma voz.
Só a erva fecunda lá em baixo,
no abrigo escavado:
seiva aberta,
vida sem nome,
fundida na névoa.
Flor do meu lindo cerrado
Que vives a me demonstrar
A beleza de tua natureza
O canto do majestoso pássaro
De serras e matas cercadas
Como é de encanto a tua vista
Do alto da tua vista o poente
Os bons ventos sopram pro teu rumo
Bons tempos foram vividos
E seguimos com tua prosperidade
Com teu povo acolhedor.
Tangará da Serra, ser natural daqui?
Longe de mim, quem me dera.
Embora ainda fosse minha opinião
Assim se fez cidade então
Colonizada, amada e construída.
Por sulistas, mineiros e nortistas.
Por inúmera gente acreditando desde o início
Que aqui seria sim o berço de seus filhos
Lugar no qual iriam todos morar…
Terra amada e hoje reconhecida
Referência sim do nosso estado
Capital do grande médio norte
E porque não cidade universitária
Teu rico chão germina o ouro
Tens a riqueza que dá o sustento
De toda e quaisquer cultivares.
Teu céu azul como não há outro
Enchem de surpresa os que chegam
Emociona os que têm de partir
E voltar é o que mais quer quem estão fora.
Regressar ao teu seio de mãe aflita
Longe dos feitios que só tu tens
Do calor que só aqui é transmitido.
Sonho que o profano se alcança,
um trato já familiar.
Numa taciturnidade assuada
anseio por acordar.
Vigilante, projeto-me num consultório.
A Doutora, um auto-retrato dissociado,
questiona e analisa o reportório.
Qual a sua origem?
Do longínquo?
Uma premonição?
Tudo me deixa em consternação.
– Doutora, apenas o vindouro me causa angústia,
o pretérito magoa mas não assusta.
A incerteza do saber é desconcertante,
a hostilidade do Ser abraço-a crua.
O pretérito magoa mas não assusta.
As atrocidades do findado,
não temo mais do que o fado.
A realidade que para mim não foi justa,
magoa mas não assusta.
Quando o amor te encontrar
E partilhar da sua estrada,
Diz-lhe que não queres
Que não estás preparada
Que não houve faísca nem nada
Nem chama que eu não vi
No dia que o amor te encontrar diz-lhe
O meu coração está partido
E com todo o medo que a faísca venha
Diz-lhe breve não te quero a ti
Foste aquele que me escolheu
Porque eu não te escolhi
Diz-lhe que mandas mais que a vida
E do que te foi dado como presente
Diz-lhe tudo o que crês
E por favor não te arrependas
Mostra-lhe que podiamos ser tudo
Mas não queres o somente
Assim minto dizendo não quero tampouco
E torno indiferente
A vida passa por nós é nós aqui
A pensar que mandamos nela
A gente não manda nada
E a vida é apenas bela
Como tu és e sempre foste
E que tu te visses como te vejo
Mas hoje sem medo digo,
Nunca mais te peço um beijo
Que línguas falam as línguas
ao encontrarem-se
dentro dos espaços provocados?
A língua da dança
e dos contornos molhados?
Quero-te
com os olhos todos postos em mim
quando tenho os olhos postos em ti
não vês?
Estes não falam outra língua
que não a das vontades vorazes
Só as línguas sabem mentir
ou omitir
que rabiscamos frágeis obscenidades
na parede da casa de banho do bar
onde nos provocamos em línguas distintas
pra provocar as verdades escondidas
dentro de órgãos ainda mais honestos
As línguas não sabem calar
as coisas que as excitam
Às línguas não cabem outra coisa
que não a tentação
de não saber
onde começa a minha ou termina a tua
Quando a vida pesa e a estrada aperta,
quando a esperança parece incerta,
lembra-te: a noite mais fria e escura
é sempre o prelúdio da aurora mais pura.
Se o vento forte te tenta dobrar,
não deixes o medo mandar parar;
raízes fundas aprendem na dor
a transformar tempestade em valor.
Cada tropeço ensina a subir,
cada silêncio convida a ouvir;
no chão das quedas nasce a lição
que fortalece o pulso e o coração.
Quem cai e levanta descobre poder,
descobre que o limite é só aprender;
pois dentro do peito, calada e profunda,
há uma coragem que nunca se afunda.
E quando pensares que não vais vencer,
olha o caminho que já soubeste fazer;
cada batalha gravada na pele
é prova de fogo que a alma impele.
Segue, insiste, resiste e persiste,
mesmo que o mundo te diga que desiste;
porque a vitória não mora no fim,
mas em cada passo que nasce em ti.
Levanta a cabeça, respira e avança,
faz do impossível matéria de esperança;
pois quem enfrenta a noite sem temor
aprende a nascer mais forte na dor.
Mais tarde ou mais cedo cedemos
De tanto querer ser mais e melhor,
Perdemos nas gotas de sangue e suor
Que, por espanto, traz apenas duvida
E incerteza, reinando esse teu tal suspiro.
Existe vida assim, neste pedaço de papiro
Encrostado no teu ouvido como um zumbido
De uma mosca inquieta e sedenta do que tens
Para dar e pelo que tens sido, gritarás liberdade
Em memória do teu ora santo amigo, e parente.
Frequente é persistir na penumbra e lamaçal,
Ostentando queda do semblante fora deste “normal”,
Medonho da solidão que se vive neste planetavirado
Do avesso, mas presta atenção que a nossa chupeta
Não tem como destino retrete com odor a cabeço.
A mentira na tua atitude tem algo pouco espeço
E ingrato pela oportunidade de fazer algo firme
Como a tua postura, e não sei se ei de chorar ou rir-me
Dado que os teus erros já foram os meus, ser inanimado
Com tons de azul, subjugado a si e aos seus, caríssima.
O arrependimento mora perto ao peito
Quase na rua onde a memória habita
Vem de chinelos, sem alarde, e fica
Sentado, opinando, em discreto leito
Aprendemos, tateando, o defeito
Derrubando copos, a promessa aflita
Deveria, como chuva breve, bonita
Molhar a alma e passar sem efeito
Mas guardamo-lo em pote na solidão
E a noite abre o vidro da lembrança
Palavra engolida vira pedra, então
Hoje, com educação, dou esperança
Cumprimento o vizinho, dou-lhe mão
E mostro a porta da minha temperança
Há jornadas que nunca vão só.
Mesmo quando o mundo abre portas,
um olhar permanece fixo,
esperando o próximo movimento.
Disseram-lhe: és livre.
E ela acreditou,
pois outrora,
houve mãos que derrubaram muros,
para que hoje pudesse escolher o chão.
Decide, incentivaram.
E ofereceram opções,
como quem oferece céu em pequenas caixas.
Não havia grades,
apenas presenças.
Não existiam proibições,
somente olhares que delimitavam o caminho.
Permaneceu num casulo entreaberto.
Fios curtos, de possibilidades reduzidas.
Uma liberdade bastante para não ser prisão,
mas insuficiente para ser voo.
Chamavam-lhe livre,
enquanto aprendia a reduzir o céu
à dimensão das alternativas.
E ela,
em parte, larva,
em parte devaneio,
aprendeu a conter as asas antes de as abrir,
com receio de que até o céu tivesse teto.
Quem me dera um dia com a minha mão
Começar por escrever
Nas linhas da tua suave mão, que
Entrei no teu sorriso
E vi-me nos teus olhos ao espelho
E da tua boca saíram beijos que estavam guardados
Ao percorrer o teu cabelo que me ata
Ao silêncio do teu rosto de linho que brilha iluminado
Na tua beleza única que nunca tinha vivenciado
Em corpo de seda que guarda todas as fragrâncias da natureza
Onde pude respirar a brisa do mar, a terra molhada
O aroma do fogo da lareira e do ar gelado do inverno
E sentir o calor do verão no teu coração
Enquanto provava a doce paixão
Pois que dentro de ti és tudo e tudo és para sempre
Como o amor na única casa onde posso habitar
Ao longo da linha do tempo
Da linha da vida e do amor
Em que as raízes se entrelaçam nas rugas das nossas mãos
Que juntas um dia escreveriam o capítulo final na nossa pele.
Será que somos livres, ou é apenas uma ilusão…
A viver em correntes, sem pura perceção,
A vida é um palco, onde a mente se esconde,
Como Truman preso, e ninguém lhe responde.
Será que a nossa escolha é mesmo uma escolha?
Ou será que seguimos a rota que os outros decidem?
Entre as paredes de um mundo fabricado,
Será a nossa essência algo moldado?
Num mar de imagens, onde nada é real,
A liberdade é um sonho, quase surreal.
Mas quem somos nós, senão uma história.
Podemos ter sonhos, mas permanecem apenas na memória.
Talvez a liberdade seja só uma ideia,
Que a mente cria, que a alma deseja.
Mas, tal como Truman, na sua dor,
Ser livre é sempre mais que uma simples cor.
Vivemos em moldes, com regras e guias,
Mas liberdade, talvez, esteja nas nossas próprias vias,
Será que a verdadeira liberdade existe, então?
Ou estamos todos presos dentro da nossa imaginação?
Atravessei o ribeiro,
ladino por entre as pedras e
os ramos ali retidos, em tua busca.
A suave brisa daquela tarde calma
impelia-me o pensamento, feito desejo,
quente e fundo, no alcançar dos teus lábios.
Apesar da batida ansiosa do meu coração,
colhi-te, na margem verde do curso de água,
a flor solta para pôr nos teus cabelos,
suaves e lindos…de morrer.
Na ânsia desalmada do encontro,
pintei de terra e de dor, os joelhos,
que me caíram envergonhados sobre a urze do caminho.
Mas que importa este percalço?
Nada se compara com o alvoroço da minha alma,
já estendida ao teu carinho e submissa à delicadeza
do teu jeito.
Voei ao encontro dos teus braços,
feito andorinha em busca da Primavera.
E, entrelaçados, caímos no ninho do nosso amor,
chilreando ao mundo a nossa paixão
atrasada de umas horas.
Uma infinidade!
não sei vocês
mas eu prefiro
três Salgueiros
A neve congelou as cartas de amor que a ti dediquei
O calor amassou as rosas que pra ti cultivei
A chuva levou as lágrimas que por ti derramei
Mas as balas, as balas tiraram te de mim
Sem que pudesse ter proferido que eu te amo!
Eu te amo!
Tua ausência torna a minha visão turva
Meu coração amargo amarguradamente, apaga com sangue e lágrimas infinitas chama que em mim despertaste!
Eu te amo!
Mas as balas, as balas tiraram te de mim sem que eu proferisse estas palavras Com sangue e lágrimas infinitas
Que sangram na minha mente e nos meus olhos
Toda vez que pronuncio o teu nome na tua ausência
Eu te amo!
Eu te amo, amo te e gritarei até na tua sepultura o quanto te amo e amo
Até que me ouças a proferir EU TE AMO
Pois amo-te, e dir-ti-ei na próxima vida ainda em vida.
Um ratinho pequenino
Viu os pombos a voar,
Ficou muito ansioso
Também quis experimentar.
Encontrou no chão da rua
Algumas penas de pato,
Empolgado com a ideia
Subiu logo a um telhado!
Quero tanto… Quero tanto…
Disse o rato e saltou.
Sorte dele naquele momento
Um vento forte o apanhou.
Planeou um bocadinho,
Mesmo antes de aterrar,
Satisfeito o ratinho
Logo começou a gritar:
– “Sou um rato voadooor!”
Ai, que grande experiência!
Pois, às vezes podem ter,
Sorte, por coincidência.
Nesse labirinto de pedra e silêncio,
onde o teu rosto é o vazio que me encara,
bebo do veneno que guardas na palma.
Ergueste a muralha com o barro do tédio,
um cerco de gelo que não quebra, nem para.
O teu desprezo alimenta a fornalha,
e o teu ódio é a cinza que resta no chão.
És prisioneiro da própria mortalha,
covarde demais para a redenção.
Ouve-me, sombra de um trono caído:
se a tua força é apenas o nada,
nega-me o abismo, mas dá-me o sentido.
Racha o teu muro, rebenta a cilada,
e lança sobre mim, num golpe esquecido,
uma explosão de alegria… ou a tua estocada.
Me ame com as luzes apagadas
Me ame mesmo quando as luzes se apagarem
Nem sempre o que sobra é o amor, as vezes é amargo como a dor.
Me ame mesmo quando as luzes se apagarem.
O meu corpo é um escudo, muitos tentam atravessá-lo,
mas a guarda nunca é derrubada.
Alguns se enfurecem por não o conseguir baixar,
porque tudo o que querem é tocá-lo. Prefiro morrer a entregá-lo.
Por isso te peço: me ame com as luzes apagadas.
O que o escudo guarda é precioso e raro. Todos querem tomá-lo
uns chegam mascarados, outros mostrando a face.
Mas ninguém quer além daquilo que não posso oferecer.
E o que me resta, talvez, seja perecer…
por isso te peço: me ame com as luzes apagadas.
E se um dia o escudo for derrotado, derrubado
eu ainda irei me lembrar ou esquecer?
Mas a única coisa que peço, enquanto rezo, é
“Por favor, me ame com as luzes apagadas.”
Porque se um dia eu vier a perecer
e uma luz se acender, verás que nem sempre fui
a treva que tinhas de temer. Apenas, Me ame com as luzes apagadas.
De momento, troco o passo rápido pela valsa lenta
Demoro-me a levantar e pouco me importo
Corri toda a minha vida
Dizem que é bom viver no limite
Por agora, habito a calma que nunca tive
Parecemos a lei da ação-reação,
Que nunca encontra conclusão,
Deixando entre nós estilhaços,
Que voltamos a pisar descalços.
Temos alguma falta de noção,
E um pelo outro uma fixação,
Pois em todos os nossos espaços
Houve sempre pequenos lapsos.
Escorreguei para os teus braços,
Deixei que se criassem laços,
Insististe em mudar a minha direção,
Enquanto ainda me davas a tua mão.
A minha mente ouvia os passos,
Achava os teus argumentos falsos,
Dizias resistir à tentação,
Mas nunca escapas à repetição.
Somos outono,
Folhas secas no vento soprador.
Somos almas da pinha caída
E movidos pela dor.
Lá de vez em quando somos
A calorosa e radiante primavera.
Florida até aos pés, faz de nós
Como aquele que a tudo espera.
Quando primavera sou
É quando o outono te domou,
Procuro fazer-te florescer.
Quando primavera te sentes,
A mim o outono atirou sementes.
Assim tentas me renascer.
Quem arrancou a poeira do caminho
onde, por vezes, me estendia e sujava o corpo,
rastejando em busca de algo – mesmo que pouco?
Quem me livrou do rasgão do espinho?
Quem espalhou melodias no meu silêncio?
Quem acendeu dias e fez arder o frio?
Quem me saciou o sonho e moldou o sorriso
que há muito se apagava – esbatido?
Quem levou as horas de um sono esgotado?
Quem fez do deserto um jardim do paraíso?
Quem surgiu de manhã para enfrentar a noite?
Quem atravessou o sol, para me fazer brilhar como lua?
Quem?
Quem me deixa agora a vaguear pela rua?
Quem foste – e quem és –
tu que hoje és ausência?
De olho atravessado, diz-se até logo,
Sabendo que brota uma saudade,
Entrelaçando-se um fio invisível de nostalgia:
“D`onde és, ei rapazim, és fi de quem?”
EHHH, já séi, andamos na escola juntos.
E milhares de histórias contadas pelos séculos.
No céu melancólico como a maré,
Onde canções de despedida são entoadas,
“Eh oh,eh oh, irró,ti mané ió”,
O mar com voz de homem.
Alma penada, isca pó mar
Entravadas tabúas, batizadas de Santa Maria,
Graças a deus, unhas cravadas na terra.
Voltados para o mar, vales verdejantes de humidade,
Curva, contracurva, concurva, convoca, cova,
Estás lá, no presépio da vida,
Onde a comida é evaporada em crateras,
Cheiro a enxofre entranhado no dente.
Credo incruz excomungado.
E a ilha aos pés, o lugar que me viu começar,
Na carga da vivência, a experiência do sentir.
“Já os antigos diziam, bate de frente, mas bate com força.”
Desta forma deixo a ilha, mas ela não me deslarga.
Eh! Rapá,pelo-ê sê tápanho.
És meme atlêmade, fi de uma éga,
Já se`sabe que agente nã consegue viver sem nada disse,
Agente nasce aqui e morre aqui.
Eu sei que sou bonita,
Ou talvez não saiba.
Olho para as outras,
para as séries, para os filmes,
e penso que devia ser mais.
Mais desejada.
Mais leve.
Mais fácil de levantar.
Fico a pensar no que alguém vai ver,
no que vai pensar,
quando não houver roupa,
quando não houver filtros,
quando for só eu.
Talvez deva perder peso.
E é aqui que tudo começa.
se deixar de comer um pouco emagrece,
então não comer nada
emagrece mais rápido
não é?Tudo se complica,
até o mais simples se torna difícil.
A cabeça fica presa
num único pensamento:
não pensar em comida.
Mas basta um erro,
uma pequena cedência,
e já não interessa.
Se já falhei,
então tanto faz continuar.
E continuo.
Procuro mais.
Como mais.
Como tudo.
Porque amanhã
vai ser diferente.
Amanhã vou parar.
Amanhã vai ser restrição total.
Hoje é o último dia,
hoje posso tudo.
E durante um momento
parece bom.Mas depois vem o peso…
A culpa.
Silêncio.
Ninguém pode saber!
E a voz volta,
dura, repetida:
estragaste tudo.
vais ter de recomeçar.
Outra vez.
Calorias.
Controlo.
E no meio disso,
a cabeça não para.
Todos os dias as mesmas imagens,
os mesmos corpos,
o mesmo ideal
que não encaixa em mim.
Mas o mais estranho
é saber
que há quem olhe para mim
e queira exatamente isto.Então o que está errado?
O meu corpo
ou a forma como o vejo?
E se o “perfeito” muda
de lugar para lugar,
de pessoa para pessoa,
então o que é, afinal, bonito?
Talvez não haja resposta.
Talvez só haja isto:
uma guerra constante
entre o que eu sou
e o que dizem que eu devia ser.
E eu, no meio,
cansada
de nunca ser suficiente.
Amizade no tempo se descreve,
Em risos sem razão e sem porquê,
Projetos que o destino não prevê,
Num sonho inadiável, solto e leve.
Na alegria serena que comove,
Dar e receber sem nada pedir,
Sem fome de presença, a seguir,
Num gesto que de graça se renove.
Jamais se procura, ou se idealiza,
Pratica-se na vida que concisa
A tua correção no contratempo.
Teu vício e tua virtude são enredo,
Guardo do teu desejo o meu segredo,
Amizade atravessa o próprio tempo.
Desembrulhado o poema, o Fio da Vida, turbilhão de emoções.
Submete-se o poeta à vida, questiona-se. A Alma e sua vastidão.
Nas linhas do tempo, pinta-se o imensurável da poesia.
No olhar reflete-se, subtil, o encanto. Iluminada a linguagem. Cativante.
Respiração de afectos, emoções, destemor, confiança.
Identidade, Consciência, Erudição. Próprios. Sentidas e transmissíveis.
Interpelar o sentir. Como se define?
Tempo e sua programação. Evidência, gestão criteriosa do Presente.
A vida em Personalidade. Querer. Ambição.
O sonho habita onde quer estar, no sentir.
Na observância das memórias, a realidade marcante da actualidade.
Nos portais do tempo, o coração. Planeado.
Vivas as palavras, luminoso é o seu tempo. Infinito o livre arbítrio.
Escrita que soa a libertação. Encantatória.
Voz contagiada de urgências.
Objectivada a lucidez do futuro.
Ab (re-se) erto o Poema Perfeito?
Olho pela minha janela e penso em ti
O vento faz abanar as arvores num turbilhão
E assim está o meu pensamento e o meu coração
Eu queria ser a tua pele para estar junto a ti
Conto as horas para regressar
E nos teus braços me afundar
A tua pele cheirar
E o meu corpo em ti enroscar
Sou louca por este sentimento nutrir
Mas não consigo deixar de sentir
As borboletas na barriga a fervilhar
E o meu coração por ti sempre a chamar
Eu queria este sentimento acalmar
Pois às vezes me faz sufocar
E faz querer eu até à lua viajar
Para de ti me afastar
Guia’ estrela guia
Luz tão elucidante
A mente alumia
É autorregulante
Ensino ao alunado
Ciência produzida
Pesquisa, doutor, mestrado
Vê: qualidade de vida
Começa outra reunião
É sexta-feira de manhã
Professora e o guião
Quem quer provar uma romã?
Guia’ estrela guia
Luz tão elucidante
A mente alumia
Nada procrastinante
A pedra que fundamenta
Alicerça e angula
Vem a onda branca benta
E outra questão circula
Investigar e publicar:
Se vai o origamista
Joaninhas a trabalhar
Luminosa, pela vista!
Guia’ estrela guia
Luz tão elucidante
A mente alumia
Dá pra ir adiante
Pra hoje temos qual frase?
D’um escritor empertigo
Sei, pra tese não é base
Hora de ler um artigo
Adeus, sino-educando
Olá, garota galega
Pessoas sempre mudando
Espanhóis, belgas; não chega
Guia’ estrela guia
Luz tão elucidante
A mente alumia
Intervenção avante
Dedicado aos integrantes do Grupo Universitário de Investigação em Autorregulação (GUIA) da Escola de Psicologia da Universidade do Minho do ano 2025/2026
Tenho a roupa manchada
de cicatrizes dos gritos da cidade
Tenho todo o seu suor
na minha pele ingénua,
amassada pelos empurrões
do tempo indomável
Oh, que submissão…
Há muita gente e muitas casas
e casas com demasiada gente
sem janelas nem vão
que nem casas são.
E muitos carros com pouca gente
e muita gente nos autocarros
que instigam o silêncio ao desprezo,
cuspidos na estação.
Tenho o cabelo manchado
de resíduos radioactivos da cidade
Nos passeios barulhentos,
trilhos impiedosos
difamados de excrementos
Citadinos empossam-se
fitando o meu olhar
A cidade torna-os impacientes,
mais pacientes da pobreza
A malcriadez não é embaraço
como na minha terra cortês
Os vizinhos de escada
deixam-me vezes sem conta
com o Bom dia! nas mãos.
Que embaraço. Que estupidez.
Passaste por mim,
como quem passa na primavera,
vê as flores a florir,
o Sol a sorrir
e acaba por ficar.
Não foste vento
que foi empurrado pelo tempo
e partiu.
Permaneceste,
fizeste nascer em mim a emoção,
dançámos ao som da mesma canção
e foste semente,
de um pedaço de gente.
Não foste maresia
que o mar enfeitiçou
e para longe levou.
Ficaste em mim
na serenidade de um tormento,
na loucura de um momento.
Foste luz na minha escuridão.
NOTAS:
1. Cada utilizador tem direito a um voto por dia (24h) no seu poema favorito, com bloqueio definido por Internet Protocol (IP). Significa que se vários utilizadores partilharem a mesma ligação de Internet, só será possível efetivar um voto por dia através da respetiva ligação. O limite de votos é definido por IP e não por dispositivo (telemóvel, computador ou tablet).
Exemplo: no dia 1, às 15:00, a Maria utilizou um dispositivo em casa, ligado à rede local, para votar no seu poema favorito. Assim, só poderá repetir o voto – a partir da mesma rede local – quando passarem 24 horas, ou seja, no dia 2, após as 15:01;
3. Os resultados serão apresentados conforme estipulado na alínea a) do ponto 1 do artigo 3.º. Os 10 (dez) poemas vencedores são divulgados nas redes sociais da Creative Books até ao quinto dia útil do mês seguinte;
4. Para confirmar a validação do seu voto, verifique o sinal verde no topo do pop-up de votação.
VENCEDORES