Vamos eleger os poemas e os poetas do ano 2026, em Portugal. Um concurso de tema livre, aberto a todos os autores maiores de 18 anos. Aqui, quem vota é o leitor, e os poemas mais votados serão editados em livro, numa antologia homónima. 

"POETAS DO ANO" é um concurso de poesia promovido pela Creative Books

Vamos fomentar o interesse pela poesia, incentivar a escrita e divulgar os autores de poesia escrita em língua portuguesa.  

FUNCIONAMENTO 

1. O concurso decorre entre os meses de janeiro e dezembro de 2026, com entregas mensais de poemas por parte dos participantes;
2. Cada participante pode apresentar um poema por mês;
3. A participação é efetuada até às 23h 59min do último dia do mês anterior ao do concurso, através do formulário abaixo;
5. A votação é aberta ao público e decorre mensalmente entre as 12h do primeiro dia e as 23h 59min do último dia do mês;
6. Os 10 (dez) poemas mais votados de cada mês serão publicados em livro.
Consulte o regulamento 2026 completo.

METAS

Escreve poesia? Participe no concurso “Poetas do Ano” e veja o seus poemas publicados em livro.

LIVRO

Os 10 (dez) poemas mais votados de cada mês são publicados em livro pela Creative Books, numa antologia homónima, sem qualquer custo para os participantes.

PROMOÇÃO

É oferecido um pacote promocional de publicação ao autor do poema mais votado. As características serão anunciadas mensalmente na página web da Creative Books.

DIPLOMA

Os autores dos 3 (três) poemas mais votados do mês recebem um diploma digital de Poeta do Mês.

PARTICIPE JÁ!

PARTICIPAÇÃO

Efectue a sua participação através do formulário. Relembramos as carecterísticas da obra: 

1. A participação é submetida com uma declaração de compromisso do candidato em como é o único autor da obra original e inédita e que a mesma nunca foi publicada em papel ou nas plataformas digitais, constando da mesma o nome completo do autor, a sua nacionalidade, número de documento de identificação e respetiva validade;

2. Os poemas a concurso devem ser: escritos em língua portuguesa; inéditos; de tema livre; intitulados e assinados;
redigidos com o tipo de letra Arial, tamanho 12, espaço e meio entre linhas, não devendo ultrapassar uma página A4.
Submeta o seu ficheiro em formato .docx (word) ou .pdf. Consulte o regulamento completo.

VOTAÇÃO

No canto abrupto dos estorninhos,

a terra suspira, estremunhada,

enquanto o silêncio se desfaz

nos montes incendiados de laranja.

Uma lagoa de bruma

assenta sobre a pele eriçada do vale.

Demora-se,

conhece o peso rude da cercania.

Pelas encostas, os pinhos calam

um desejo oculto na luz diáfana,

na resina e sombra da caruma adormecida.

Entre duas fragas,

abre-se na terra arenosa um trilho ténue.

Não conduz.

Persiste.

Rasto de um vulto morno

na neve derretida.

O vento atravessa o esplendor da Beira,

despenteia, arrepia,

afaga a geada

e deixa no chão um hálito rasgado.

Traz o que foge das mãos,

apodrece na memória.

Cada folha, cada tronco,

tem nos veios o vigor dos lobos.

As giestas estremecem sozinhas.

Há uma curva na montanha

traçada por um gesto quase humano:

hesitante,

terno.

As levadas descem ao rio,

roçam-lhe as margens,

entram pela boca verde dos salgueiros.

O sol rompe a névoa sem ruído.

Inclina-se,

bebe o azul brando do orvalho,

prova a primeira água do dia.

Fica nos campos um brilho espesso

que cintila nos poros do granito.

Mas é no penedo mais alto,

no dorso cinzento da serrania,

que o mundo se recolhe.

Nenhum passo.

Nenhuma voz.

Só a erva fecunda lá em baixo,

no abrigo escavado:

seiva aberta,

vida sem nome,

fundida na névoa.

Flor do meu lindo cerrado

Que vives a me demonstrar

A beleza de tua natureza

O canto do majestoso pássaro

De serras e matas cercadas

Como é de encanto a tua vista

Do alto da tua vista o poente

Os bons ventos sopram pro teu rumo

Bons tempos foram vividos

E seguimos com tua prosperidade

Com teu povo acolhedor.

Tangará da Serra, ser natural daqui?

Longe de mim, quem me dera.

Embora ainda fosse minha opinião

Assim se fez cidade então

Colonizada, amada e construída.

Por sulistas, mineiros e nortistas.

Por inúmera gente acreditando desde o início

Que aqui seria sim o berço de seus filhos

Lugar no qual iriam todos morar…

Terra amada e hoje reconhecida

Referência sim do nosso estado

Capital do grande médio norte

E porque não cidade universitária

Teu rico chão germina o ouro

Tens a riqueza que dá o sustento

De toda e quaisquer cultivares.

Teu céu azul como não há outro

Enchem de surpresa os que chegam

Emociona os que têm de partir

E voltar é o que mais quer quem estão fora.

Regressar ao teu seio de mãe aflita

Longe dos feitios que só tu tens

Do calor que só aqui é transmitido.

Sonho que o profano se alcança,

um trato já familiar.

Numa taciturnidade assuada

anseio por acordar.

Vigilante, projeto-me num consultório.

A Doutora, um auto-retrato dissociado,

questiona e analisa o reportório.

Qual a sua origem?

Do longínquo?

Uma premonição?

Tudo me deixa em consternação.

– Doutora, apenas o vindouro me causa angústia,

o pretérito magoa mas não assusta.

A incerteza do saber é desconcertante,

a hostilidade do Ser abraço-a crua.

O pretérito magoa mas não assusta.

As atrocidades do findado,

não temo mais do que o fado.

A realidade que para mim não foi justa,

magoa mas não assusta.

Quando o amor te encontrar

E partilhar da sua estrada,

Diz-lhe que não queres

Que não estás preparada

Que não houve faísca nem nada

Nem chama que eu não vi

No dia que o amor te encontrar diz-lhe

O meu coração está partido

E com todo o medo que a faísca venha

Diz-lhe breve não te quero a ti

Foste aquele que me escolheu

Porque eu não te escolhi

Diz-lhe que mandas mais que a vida

E do que te foi dado como presente

Diz-lhe tudo o que crês

E por favor não te arrependas

Mostra-lhe que podiamos ser tudo

Mas não queres o somente

Assim minto dizendo não quero tampouco

E torno indiferente

A vida passa por nós é nós aqui

A pensar que mandamos nela

A gente não manda nada

E a vida é apenas bela

Como tu és e sempre foste

E que tu te visses como te vejo

Mas hoje sem medo digo,

Nunca mais te peço um beijo

Que línguas falam as línguas

ao encontrarem-se

dentro dos espaços provocados?

A língua da dança

e dos contornos molhados?

Quero-te

com os olhos todos postos em mim

quando tenho os olhos postos em ti

não vês?

Estes não falam outra língua

que não a das vontades vorazes

Só as línguas sabem mentir

ou omitir

que rabiscamos frágeis obscenidades

na parede da casa de banho do bar

onde nos provocamos em línguas distintas

pra provocar as verdades escondidas

dentro de órgãos ainda mais honestos

As línguas não sabem calar

as coisas que as excitam

Às línguas não cabem outra coisa

que não a tentação

de não saber

onde começa a minha ou termina a tua

Quando a vida pesa e a estrada aperta,

quando a esperança parece incerta,

lembra-te: a noite mais fria e escura

é sempre o prelúdio da aurora mais pura.

Se o vento forte te tenta dobrar,

não deixes o medo mandar parar;

raízes fundas aprendem na dor

a transformar tempestade em valor.

Cada tropeço ensina a subir,

cada silêncio convida a ouvir;

no chão das quedas nasce a lição

que fortalece o pulso e o coração.

Quem cai e levanta descobre poder,

descobre que o limite é só aprender;

pois dentro do peito, calada e profunda,

há uma coragem que nunca se afunda.

E quando pensares que não vais vencer,

olha o caminho que já soubeste fazer;

cada batalha gravada na pele

é prova de fogo que a alma impele.

Segue, insiste, resiste e persiste,

mesmo que o mundo te diga que desiste;

porque a vitória não mora no fim,

mas em cada passo que nasce em ti.

Levanta a cabeça, respira e avança,

faz do impossível matéria de esperança;

pois quem enfrenta a noite sem temor

aprende a nascer mais forte na dor.

Mais tarde ou mais cedo cedemos

De tanto querer ser mais e melhor,

Perdemos nas gotas de sangue e suor

Que, por espanto, traz apenas duvida

E incerteza, reinando esse teu tal suspiro.

Existe vida assim, neste pedaço de papiro

Encrostado no teu ouvido como um zumbido

De uma mosca inquieta e sedenta do que tens

Para dar e pelo que tens sido, gritarás liberdade

Em memória do teu ora santo amigo, e parente.

Frequente é persistir na penumbra e lamaçal,

Ostentando queda do semblante fora deste “normal”,

Medonho da solidão que se vive neste planetavirado

Do avesso, mas presta atenção que a nossa chupeta

Não tem como destino retrete com odor a cabeço.

A mentira na tua atitude tem algo pouco espeço

E ingrato pela oportunidade de fazer algo firme

Como a tua postura, e não sei se ei de chorar ou rir-me

Dado que os teus erros já foram os meus, ser inanimado

Com tons de azul, subjugado a si e aos seus, caríssima.

O arrependimento mora perto ao peito

Quase na rua onde a memória habita

Vem de chinelos, sem alarde, e fica

Sentado, opinando, em discreto leito

Aprendemos, tateando, o defeito

Derrubando copos, a promessa aflita

Deveria, como chuva breve, bonita

Molhar a alma e passar sem efeito

Mas guardamo-lo em pote na solidão

E a noite abre o vidro da lembrança

Palavra engolida vira pedra, então

Hoje, com educação, dou esperança

Cumprimento o vizinho, dou-lhe mão

E mostro a porta da minha temperança

Há jornadas que nunca vão só.

Mesmo quando o mundo abre portas,

um olhar permanece fixo,

esperando o próximo movimento.

Disseram-lhe: és livre.

E ela acreditou,

pois outrora,

houve mãos que derrubaram muros,

para que hoje pudesse escolher o chão.

Decide, incentivaram.

E ofereceram opções,

como quem oferece céu em pequenas caixas.

Não havia grades,

apenas presenças.

Não existiam proibições,

somente olhares que delimitavam o caminho.

Permaneceu num casulo entreaberto.

Fios curtos, de possibilidades reduzidas.

Uma liberdade bastante para não ser prisão,

mas insuficiente para ser voo.

Chamavam-lhe livre,

enquanto aprendia a reduzir o céu

à dimensão das alternativas.

E ela,

em parte, larva,

em parte devaneio,

aprendeu a conter as asas antes de as abrir,

com receio de que até o céu tivesse teto.

Quem me dera um dia com a minha mão

Começar por escrever

Nas linhas da tua suave mão, que

Entrei no teu sorriso

E vi-me nos teus olhos ao espelho

E da tua boca saíram beijos que estavam guardados

Ao percorrer o teu cabelo que me ata

Ao silêncio do teu rosto de linho que brilha iluminado

Na tua beleza única que nunca tinha vivenciado

Em corpo de seda que guarda todas as fragrâncias da natureza

Onde pude respirar a brisa do mar, a terra molhada

O aroma do fogo da lareira e do ar gelado do inverno

E sentir o calor do verão no teu coração

Enquanto provava a doce paixão

Pois que dentro de ti és tudo e tudo és para sempre

Como o amor na única casa onde posso habitar

Ao longo da linha do tempo

Da linha da vida e do amor

Em que as raízes se entrelaçam nas rugas das nossas mãos

Que juntas um dia escreveriam o capítulo final na nossa pele.

Será que somos livres, ou é apenas uma ilusão…

A viver em correntes, sem pura perceção,

A vida é um palco, onde a mente se esconde,

Como Truman preso, e ninguém lhe responde.

Será que a nossa escolha é mesmo uma escolha?

Ou será que seguimos a rota que os outros decidem?

Entre as paredes de um mundo fabricado,

Será a nossa essência algo moldado?

Num mar de imagens, onde nada é real,

A liberdade é um sonho, quase surreal.

Mas quem somos nós, senão uma história.

Podemos ter sonhos, mas permanecem apenas na memória.

Talvez a liberdade seja só uma ideia,

Que a mente cria, que a alma deseja.

Mas, tal como Truman, na sua dor,

Ser livre é sempre mais que uma simples cor.

Vivemos em moldes, com regras e guias,

Mas liberdade, talvez, esteja nas nossas próprias vias,

Será que a verdadeira liberdade existe, então?

Ou estamos todos presos dentro da nossa imaginação?

Atravessei o ribeiro,

ladino por entre as pedras e

os ramos ali retidos, em tua busca.

A suave brisa daquela tarde calma

impelia-me o pensamento, feito desejo,

quente e fundo, no alcançar dos teus lábios.

Apesar da batida ansiosa do meu coração,

colhi-te, na margem verde do curso de água,

a flor solta para pôr nos teus cabelos,

suaves e lindos…de morrer.

Na ânsia desalmada do encontro,

pintei de terra e de dor, os joelhos,

que me caíram envergonhados sobre a urze do caminho.

Mas que importa este percalço?

Nada se compara com o alvoroço da minha alma,

estendida ao teu carinho e submissa à delicadeza

do teu jeito.

Voei ao encontro dos teus braços,

feito andorinha em busca da Primavera.

E, entrelaçados, caímos no ninho do nosso amor,

chilreando ao mundo a nossa paixão

atrasada de umas horas.

Uma infinidade!

não sei vocês

mas eu prefiro

três Salgueiros

A neve congelou as cartas de amor que a ti dediquei
O calor amassou as rosas que pra ti cultivei
A chuva levou as lágrimas que por ti derramei
Mas as balas, as balas tiraram te de mim
Sem que pudesse ter proferido que eu te amo!

Eu te amo!
Tua ausência torna a minha visão turva
Meu coração amargo amarguradamente, apaga com sangue e lágrimas infinitas chama que em mim despertaste!

Eu te amo!
Mas as balas, as balas tiraram te de mim sem que eu proferisse estas palavras Com sangue e lágrimas infinitas
Que sangram na minha mente e nos meus olhos
Toda vez que pronuncio o teu nome na tua ausência

Eu te amo!
Eu te amo, amo te e gritarei até na tua sepultura o quanto te amo e amo
Até que me ouças a proferir EU TE AMO
Pois amo-te, e dir-ti-ei na próxima vida ainda em vida.

Um ratinho pequenino

Viu os pombos a voar,

Ficou muito ansioso

Também quis experimentar.

Encontrou no chão da rua

Algumas penas de pato,

Empolgado com a ideia

Subiu logo a um telhado!

Quero tanto… Quero tanto…

Disse o rato e saltou.

Sorte dele naquele momento

Um vento forte o apanhou.

Planeou um bocadinho,

Mesmo antes de aterrar,

Satisfeito o ratinho

Logo começou a gritar:

– “Sou um rato voadooor!”

Ai, que grande experiência!

Pois, às vezes podem ter,

Sorte, por coincidência.

Nesse labirinto de pedra e silêncio,

onde o teu rosto é o vazio que me encara,

bebo do veneno que guardas na palma.

Ergueste a muralha com o barro do tédio,

um cerco de gelo que não quebra, nem para.

O teu desprezo alimenta a fornalha,

e o teu ódio é a cinza que resta no chão.

És prisioneiro da própria mortalha,

covarde demais para a redenção.

Ouve-me, sombra de um trono caído:

se a tua força é apenas o nada,

nega-me o abismo, mas dá-me o sentido.

Racha o teu muro, rebenta a cilada,

e lança sobre mim, num golpe esquecido,

uma explosão de alegria… ou a tua estocada.

Me ame com as luzes apagadas

Me ame mesmo quando as luzes se apagarem

Nem sempre o que sobra é o amor, as vezes é amargo como a dor.

Me ame mesmo quando as luzes se apagarem.

O meu corpo é um escudo, muitos tentam atravessá-lo,

mas a guarda nunca é derrubada.

Alguns se enfurecem por não o conseguir baixar,

porque tudo o que querem é tocá-lo. Prefiro morrer a entregá-lo.

Por isso te peço: me ame com as luzes apagadas.

O que o escudo guarda é precioso e raro. Todos querem tomá-lo

uns chegam mascarados, outros mostrando a face.

Mas ninguém quer além daquilo que não posso oferecer.

E o que me resta, talvez, seja perecer…

por isso te peço: me ame com as luzes apagadas.

E se um dia o escudo for derrotado, derrubado

eu ainda irei me lembrar ou esquecer?

Mas a única coisa que peço, enquanto rezo, é

“Por favor, me ame com as luzes apagadas.”

Porque se um dia eu vier a perecer

e uma luz se acender, verás que nem sempre fui

a treva que tinhas de temer. Apenas, Me ame com as luzes apagadas.

De momento, troco o passo rápido pela valsa lenta

Demoro-me a levantar e pouco me importo

Corri toda a minha vida

Dizem que é bom viver no limite

Por agora, habito a calma que nunca tive

Parecemos a lei da ação-reação,

Que nunca encontra conclusão,

Deixando entre nós estilhaços,

Que voltamos a pisar descalços.

 

Temos alguma falta de noção,

E um pelo outro uma fixação,

Pois em todos os nossos espaços

Houve sempre pequenos lapsos.

 

Escorreguei para os teus braços,

Deixei que se criassem laços,

Insististe em mudar a minha direção,

Enquanto ainda me davas a tua mão.

 

A minha mente ouvia os passos,

Achava os teus argumentos falsos,

Dizias resistir à tentação,

Mas nunca escapas à repetição.

Somos outono,

Folhas secas no vento soprador.

Somos almas da pinha caída

E movidos pela dor.

 

Lá de vez em quando somos

A calorosa e radiante primavera.

Florida até aos pés, faz de nós

Como aquele que a tudo espera.

 

Quando primavera sou

É quando o outono te domou,

Procuro fazer-te florescer.

 

Quando primavera te sentes,

A mim o outono atirou sementes.

Assim tentas me renascer.

Quem arrancou a poeira do caminho

onde, por vezes, me estendia e sujava o corpo,

rastejando em busca de algo – mesmo que pouco?

Quem me livrou do rasgão do espinho?

Quem espalhou melodias no meu silêncio?

Quem acendeu dias e fez arder o frio?

Quem me saciou o sonho e moldou o sorriso

que há muito se apagava – esbatido?

Quem levou as horas de um sono esgotado?

Quem fez do deserto um jardim do paraíso?

Quem surgiu de manhã para enfrentar a noite?

Quem atravessou o sol, para me fazer brilhar como lua?

Quem?

Quem me deixa agora a vaguear pela rua?

Quem foste – e quem és –

tu que hoje és ausência?

De olho atravessado, diz-se até logo,

Sabendo que brota uma saudade,

Entrelaçando-se um fio invisível de nostalgia:

“D`onde és, ei rapazim, és fi de quem?”

EHHH, já séi, andamos na escola juntos.

E milhares de histórias contadas pelos séculos.

No céu melancólico como a maré,

Onde canções de despedida são entoadas,

“Eh oh,eh oh, irró,ti mané ió”,

O mar com voz de homem.

Alma penada, isca pó mar

Entravadas tabúas, batizadas de Santa Maria,

Graças a deus, unhas cravadas na terra.

Voltados para o mar, vales verdejantes de humidade,

Curva, contracurva, concurva, convoca, cova,

Estás lá, no presépio da vida,

Onde a comida é evaporada em crateras,

Cheiro a enxofre entranhado no dente.

Credo incruz excomungado.

E a ilha aos pés, o lugar que me viu começar,

Na carga da vivência, a experiência do sentir.

“Já os antigos diziam, bate de frente, mas bate com força.”

Desta forma deixo a ilha, mas ela não me deslarga.

Eh! Rapá,pelo-ê sê tápanho.

És meme atlêmade, fi de uma éga,

Já se`sabe que agente nã consegue viver sem nada disse,

Agente nasce aqui e morre aqui.

Eu sei que sou bonita,

Ou talvez não saiba.

Olho para as outras,

para as séries, para os filmes,

e penso que devia ser mais.

Mais desejada.

Mais leve.

Mais fácil de levantar.

Fico a pensar no que alguém vai ver,

no que vai pensar,

quando não houver roupa,

quando não houver filtros,

quando for só eu.

Talvez deva perder peso.

E é aqui que tudo começa.

se deixar de comer um pouco emagrece,

então não comer nada

emagrece mais rápido

não é?Tudo se complica,

até o mais simples se torna difícil.

A cabeça fica presa

num único pensamento:

não pensar em comida.

Mas basta um erro,

uma pequena cedência,

e já não interessa.

Se já falhei,

então tanto faz continuar.

E continuo.

Procuro mais.

Como mais.

Como tudo.

Porque amanhã

vai ser diferente.

Amanhã vou parar.

Amanhã vai ser restrição total.

Hoje é o último dia,

hoje posso tudo.

E durante um momento

parece bom.Mas depois vem o peso…

A culpa.

Silêncio.

Ninguém pode saber!

E a voz volta,

dura, repetida:

estragaste tudo.

vais ter de recomeçar.

Outra vez.

Calorias.

Controlo.

E no meio disso,

a cabeça não para.

Todos os dias as mesmas imagens,

os mesmos corpos,

o mesmo ideal

que não encaixa em mim.

Mas o mais estranho

é saber

que há quem olhe para mim

e queira exatamente isto.Então o que está errado?

O meu corpo

ou a forma como o vejo?

E se o “perfeito” muda

de lugar para lugar,

de pessoa para pessoa,

então o que é, afinal, bonito?

Talvez não haja resposta.

Talvez só haja isto:

uma guerra constante

entre o que eu sou

e o que dizem que eu devia ser.

E eu, no meio,

cansada

de nunca ser suficiente.

Amizade no tempo se descreve,
Em risos sem razão e sem porquê,
Projetos que o destino não prevê,
Num sonho inadiável, solto e leve.

Na alegria serena que comove,
Dar e receber sem nada pedir,
Sem fome de presença, a seguir,
Num gesto que de graça se renove.

Jamais se procura, ou se idealiza,
Pratica-se na vida que concisa
A tua correção no contratempo.

Teu vício e tua virtude são enredo,
Guardo do teu desejo o meu segredo,
Amizade atravessa o próprio tempo.

Desembrulhado o poema, o Fio da Vida, turbilhão de emoções.

Submete-se o poeta à vida, questiona-se. A Alma e sua vastidão.

Nas linhas do tempo, pinta-se o imensurável da poesia.

No olhar reflete-se, subtil, o encanto. Iluminada a linguagem. Cativante.

Respiração de afectos, emoções, destemor, confiança.

Identidade, Consciência, Erudição. Próprios. Sentidas e transmissíveis.

Interpelar o sentir. Como se define?

Tempo e sua programação. Evidência, gestão criteriosa do Presente.

A vida em Personalidade. Querer. Ambição.

O sonho habita onde quer estar, no sentir.

Na observância das memórias, a realidade marcante da actualidade.

Nos portais do tempo, o coração. Planeado.

Vivas as palavras, luminoso é o seu tempo. Infinito o livre arbítrio.

Escrita que soa a libertação. Encantatória.

Voz contagiada de urgências.

Objectivada a lucidez do futuro.

Ab (re-se) erto o Poema Perfeito?

Olho pela minha janela e penso em ti

O vento faz abanar as arvores num turbilhão

E assim está o meu pensamento e o meu coração

Eu queria ser a tua pele para estar junto a ti

 

Conto as horas para regressar

E nos teus braços me afundar

A tua pele cheirar

E o meu corpo em ti enroscar

 

Sou louca por este sentimento nutrir

Mas não consigo deixar de sentir

As borboletas na barriga a fervilhar

E o meu coração por ti sempre a chamar

 

Eu queria este sentimento acalmar

Pois às vezes me faz sufocar

E faz querer eu até à lua viajar

Para de ti me afastar

Guia’ estrela guia

Luz tão elucidante

A mente alumia

É autorregulante

Ensino ao alunado

Ciência produzida

Pesquisa, doutor, mestrado

Vê: qualidade de vida

Começa outra reunião

É sexta-feira de manhã

Professora e o guião

Quem quer provar uma romã?

Guia’ estrela guia

Luz tão elucidante

A mente alumia

Nada procrastinante

A pedra que fundamenta

Alicerça e angula

Vem a onda branca benta

E outra questão circula

Investigar e publicar:

Se vai o origamista

Joaninhas a trabalhar

Luminosa, pela vista!

Guia’ estrela guia

Luz tão elucidante

A mente alumia

Dá pra ir adiante

Pra hoje temos qual frase?

D’um escritor empertigo

Sei, pra tese não é base

Hora de ler um artigo

Adeus, sino-educando

Olá, garota galega

Pessoas sempre mudando

Espanhóis, belgas; não chega

Guia’ estrela guia

Luz tão elucidante

A mente alumia

Intervenção avante

Dedicado aos integrantes do Grupo Universitário de Investigação em Autorregulação (GUIA) da Escola de Psicologia da Universidade do Minho do ano 2025/2026

Tenho a roupa manchada

de cicatrizes dos gritos da cidade

Tenho todo o seu suor

na minha pele ingénua,

amassada pelos empurrões

do tempo indomável

Oh, que submissão…

Há muita gente e muitas casas

e casas com demasiada gente

sem janelas nem vão

que nem casas são.

E muitos carros com pouca gente

e muita gente nos autocarros

que instigam o silêncio ao desprezo,

cuspidos na estação.

 

Tenho o cabelo manchado

de resíduos radioactivos da cidade

Nos passeios barulhentos,

trilhos impiedosos

difamados de excrementos

Citadinos empossam-se

fitando o meu olhar

A cidade torna-os impacientes,

mais pacientes da pobreza

A malcriadez não é embaraço

como na minha terra cortês

Os vizinhos de escada

deixam-me vezes sem conta

com o Bom dia! nas mãos.

Que embaraço. Que estupidez.

Passaste por mim,

como quem passa na primavera,

vê as flores a florir,

o Sol a sorrir

e acaba por ficar.

Não foste vento

que foi empurrado pelo tempo

e partiu.

Permaneceste,

fizeste nascer em mim a emoção,

dançámos ao som da mesma canção

e foste semente,

de um pedaço de gente.

Não foste maresia

que o mar enfeitiçou

e para longe levou.

Ficaste em mim

na serenidade de um tormento,

na loucura de um momento.

Foste luz na minha escuridão.

NOTAS:

1. Cada utilizador tem direito a um voto por dia (24h) no seu poema favorito, com bloqueio definido por Internet Protocol (IP). Significa que se vários utilizadores partilharem a mesma ligação de Internet, só será possível efetivar um voto por dia através da respetiva ligação. O limite de votos é definido por IP e não por dispositivo (telemóvel, computador ou tablet).

Exemplo: no dia 1, às 15:00, a Maria utilizou um dispositivo em casa, ligado à rede local, para votar no seu poema favorito. Assim, só poderá repetir o voto – a partir da mesma rede local – quando passarem 24 horas, ou seja, no dia 2, após as 15:01;

3. Os resultados serão apresentados conforme estipulado na alínea a) do ponto 1 do artigo 3.º. Os 10 (dez) poemas vencedores são divulgados nas redes sociais da Creative Books até ao quinto dia útil do mês seguinte;

4. Para confirmar a validação do seu voto, verifique o sinal verde no topo do pop-up de votação.

VENCEDORES

VOTE NO SEU POEMA FAVORITO: