Vamos eleger os poemas e os poetas do ano 2026, em Portugal. Um concurso de tema livre, aberto a todos os autores maiores de 18 anos. Aqui, quem vota é o leitor, e os poemas mais votados serão editados em livro, numa antologia homónima. 

"POETAS DO ANO" é um concurso de poesia promovido pela Creative Books

Vamos fomentar o interesse pela poesia, incentivar a escrita e divulgar os autores de poesia escrita em língua portuguesa.  

FUNCIONAMENTO 

1. O concurso decorre entre os meses de janeiro e dezembro de 2026, com entregas mensais de poemas por parte dos participantes;
2. Cada participante pode apresentar um poema por mês;
3. A participação é efetuada até às 23h 59min do último dia do mês anterior ao do concurso, através do formulário abaixo;
5. A votação é aberta ao público e decorre mensalmente entre as 12h do primeiro dia e as 23h 59min do último dia do mês;
6. Os 10 (dez) poemas mais votados de cada mês serão publicados em livro.
Consulte o regulamento 2026 completo.

METAS

Escreve poesia? Participe no concurso “Poetas do Ano” e veja o seus poemas publicados em livro.

LIVRO

Os 10 (dez) poemas mais votados de cada mês são publicados em livro pela Creative Books, numa antologia homónima, sem qualquer custo para os participantes.

PROMOÇÃO

É oferecido um pacote promocional de publicação ao autor do poema mais votado. As características serão anunciadas mensalmente na página web da Creative Books.

DIPLOMA

Os autores dos 3 (três) poemas mais votados do mês recebem um diploma digital de Poeta do Mês.

PARTICIPE JÁ!

PARTICIPAÇÃO

Efectue a sua participação através do formulário. Relembramos as carecterísticas da obra: 

1. A participação é submetida com uma declaração de compromisso do candidato em como é o único autor da obra original e inédita e que a mesma nunca foi publicada em papel ou nas plataformas digitais, constando da mesma o nome completo do autor, a sua nacionalidade, número de documento de identificação e respetiva validade;

2. Os poemas a concurso devem ser: escritos em língua portuguesa; inéditos; de tema livre; intitulados e assinados;
redigidos com o tipo de letra Arial, tamanho 12, espaço e meio entre linhas, não devendo ultrapassar uma página A4.
Submeta o seu ficheiro em formato .docx (word) ou .pdf. Consulte o regulamento completo.

VOTAÇÃO

Foi como encontrar o nome

certo para a luz.

Em ti, o mundo ficou simples

como o mar ao amanhecer

quando o vento se cala.

Nada foi prometido —

tudo foi dado:

a sombra justa da árvore,

a água limpa do tempo.

E a terra, após a chuva,

permanece em silêncio,

aberta ao dia

que lentamente se levanta.

Os poemas que te escrevi,

Não os releio:

Seria tortura voltar às palavras

Quando o corpo ainda te procura

E a memória insiste em te vestir de presença.

Falar de tempo dói.

Como ouso chamar cronos

Sem respeitar os limites

Da minha própria humanidade?

Hoje caminho mais lento,

Aprendendo a carregar, com delicadeza,

A vergonha silenciosa de ser vulnerável

E o desejo de ainda te guardar.

Entre o que senti e o que calei,

O romance amadureceu em fome.

E foi assim, sem aviso,

Que o afeto escorreu para a pele

E a saudade ganhou boca.

Nenhum entorpecente

Me embriagou como a tua saliva.

Nenhum afrodisíaco supera a tua língua.

O voo de ícaro se dissolve

Diante do som feroz

E sensual do teu respirar.

Esse som ainda me visita no escuro,

Não como lembrança dócil,

Mas como fome.

Tua respiração ficou em mim

Como promessa inacabada,

Ritmo que meu corpo repete

Mesmo sem o teu corpo por perto.

Desejo-te na ausência,

Amo-te no intervalo,

Sofro porque amar assim

Tocar alguém que já não está.

Vento, vento sopra
Leva estas gotas da roupa
Leva daqui o pensamento
Que me sufoca por dentro.
Faz comigo o que fazes com as gotas,
Sejam muitas ou sejam poucas,
Leva-os daqui sem que eu veja,
Sem que eu sinta que se vão
Pensamentos perdidos em mim
Que às vezes surgem sem razão.
Às vezes sinto-me assim…
Sopra vento sopra com força
Sacode a roupa lá fora
Sacode de mim a tristeza
Antes que eu me vá embora
Sem saber porque me vou
Nem sequer tenho a certeza
Do que de mim alguém esperou.
E tu vento porque sopras?!
Tudo mexe ao teu passar
Tudo fica a abanar
A roupa consegues secar
E os meus pensamentos mudar
Não te ouço, só te sinto
Em ti não fico a pensar
Desculpa, mas não te minto
Sei que só me queres ajudar.
O vento soprou
A roupa secou
Em mim muita coisa mudou
Porque te senti
Voltei a mim e sorr

Mãe Terra não fala.
Resiste.

Tem a paciência do granito
e a memória funda
de quem já foi ferida
demais.

É Mãe sem ternura fácil,
de mãos calejadas,
que ensina pelo peso do silêncio
e pelo rigor das estações.

Nela enterro os pés
como quem pede perdão.
Cada passo é um juramento antigo
entre o homem e o pó
de onde veio.

Mãe Terra não promete céu.
Dá sede.
Dá frio.
Dá pão apenas a quem insiste
em ficar.

Mas quando se abre,
num sulco humilde,
oferece mais do que colheitas:
dá raiz,
dá nome,
dá destino.

E eu, pequeno e breve, aprendo com ela que viver é aguentar de pé a própria
eternidade.

Espera. Detém-te um bocadinho.
Este é o teu tempo.
O mesmo caminho
da lágrima e do lamento,
mas também da conquista.
Der lá por onde der
terás a vida de artista,
e sofrerás tanto
quanto o sofrer
seja a tua pista
para um amanhã sereno.

A tua voz virá
do extraterreno,
tal a solenidade
em ponto pequeno
para a eternidade.
És um braço da inspiração
como a coesão
seja o alimento da nação!
Humano, perfeito, ativo,
nenhum gesto
é verdadeiro e compreensivo
se não fores honesto
com o destino.
Tal como esse menino
que um dia foste, modesto
e ainda cristalino.

Quando eu morrer,
traz-me rosas brancas,
como quem devolve à brisa
o perfume de um sonho antigo.
Traz-me a memória do que fui em ti,
suave como a neblina da manhã.
Traz-me o gesto das tuas mãos
que um dia me ergueram
quando o mundo era um deserto
e eu procurava um só sopro de ternura.

Quando eu morrer,
traz-me o sorriso que iluminava
os vales tenebrosos dos meus dias;
e a palavra amiga que era refúgio
quando a sombra queria dobrar-me.
Traz-me a água viva,
que matava a sede das histórias
que ainda não sabíamos dizer.
Traz-me o amor
para que a solidão da cova
não me seja tão fria.

Quando eu morrer,
traz-me o abrigo onde a alma,
cansada, possa enfim repousar.
E traz-me, sobretudo,
a tua voz, para que o meu nome,
ainda encontre eco nos que hão de vir.
E quando eu partir,
se ainda for digna dos teus olhos
e do teu coração,
então traz-me rosas brancas.
Rosas tuas. Somente tuas.

Se tu voltasses ao entardecer,
à hora exata em que não mais te vi,
quando as casas aprendem a recolher
e passasses a noite por aqui…

Se viesses trazendo na mão o passado,
se ele fosse chama guardada em ti,
se em ti vivesse um farol apagado
procurando a sua luz dispersa por aí…

E chegasses – tu – vasculhando o perdido,
relembrando tudo e a tudo querer.
Se não fosse só eu: metade em suspenso…
…e se juntos fôssemos espaço por viver…

Se o que sonho também tu sonhasses —
terias tu partido?
Pergunto-me:
“Valeria a pena se voltasses?”
“Terá valido a pena este tempo dolorido?”

Hoje vi-te.

Como quem encontra uma memória que nunca deixou de respirar.

Conheci-te como a palma da minha mão
E ainda assim,
Soas-te tão distante.

O teu olhar castanho não cruzou o meu,
Mas o meu caiu sobre o teu ser por inteiro.
O coração falhou o compasso da realidade,
A respiração não sabia mais como permanecer.

Se antes eras memória,
Hoje foste prova.
Ainda te conheço, mesmo sem saber nada de ti.

Ainda me soas a casa,
Mesmo sem caminho para ti…

Tique taque o som do pendulo a baloiçar 

Que emerge enorme lá ao longe 

E se aproxima bem devagar 

Talvez nem esteja quedo o monge. 

Tique taque o som agudo  

Que estremece o ouvido 

De um amigo sortudo 

Que não queria ser comido. 

Tique taque, meu querido, 

Não tenhas medo de abraçar 

Tudo o que julgaste perdido 

Num lugar escavado no mar. 

Tique taque meu amigo 

Não te deixes levar por favor 

Espera um instante meu amor 

E deixa-me ir contigo. 

Tique taque que beleza 

Vejo agora com mais clareza 

Tudo aquilo que me disseste 

Ao lado daquele cipreste. 

Tique taque adeus então 

Que nada mais posso fazer 

Para além de tentar crescer 

Até cair no chão. 

Os teus lábios leram-me a alma

no dia em que me beijaram

e logo tiveram a perceção

do que o meu coração

sentia.

 

Alma nua e tão cruel,

que te contou o que eu escondia

e que não queria partilhar,

nem com as ondas do mar.

 

Agora sinto-me traída,

numa tristeza desmedida.

Tenho a alma e o coração

de costas voltadas,

triste solidão.

 

Eu só queria amar-te em segredo,

esconder-te todo e qualquer medo

e ter-te em mim, nesta condição.

Nasci dentro de um erro topográfico.
O mapa dizia: zona habitável.
O corpo dizia: falha sísmica.
Chamaram-me pelo nome
como quem prega uma placa
num edifício prestes a ruir.
Carrego uma cidade clandestina
por baixo da pele.
Ninguém ensina
como se ergue uma casa
sobre ossos ainda húmidos.
O meu corpo não amadureceu —
foi ocupado.
Puseram uma alfândega no coração.
O amor foi evacuado às três da manhã.
Ficou a luz intermitente
de uma urgência
que nunca mais se desligou.
Guardo versões antigas de mim
como órgãos em formol.
Escrevo: algo apodrece
quando fico calado.
Se me pedirem pátria,
ofereço radiografias.
Tenho sirenes por dentro.
E, quando tento amar,
incendeio os eixos.
E mesmo assim —
continuo a deslocar continentes
até que me chamem
catástrofe natural.

Não sabes como deixas o meu coração a saltar,
Como me fazes o mundo de outra forma imaginar,
Como o ritmo de uma música fica bem marcado,
E tudo fica tão mais leve ao teu lado.

Não quero que acabe, é tão incrível,
Parece que saltamos para outro nível,
Mas acho que só estamos a começar,
Ainda há muito para aproveitar.

Sempre achei que isto foi um achado,
Tão raro, tão certo, tão inesperado.
Eu nem sabia que algo assim era possível,
Ao mesmo tempo tão bom e tão terrível.

Há algo em ti que me faz sempre ficar,
Mesmo que às vezes me faças magoar,
Por ser tão caótico e descompassado,
Mas parece que o nosso caminho está traçado.

Parece que nada tende para o complicado,
Mas mesmo que o futuro venha desafiado,
Acho que o que sentimos é inesquecível,
E o que há em nós tornou-se visível.

Quando me sinto sozinho 

Nos Saaras superpovoados 

Da minha peregrinação 

Sento-me ao pé do teu retrato 

Mãe! 

E volto a ouvir-te 

Totalmente verde e embevecido 

Falar sobre a dignidade peluda dos gatos 

E sobre o deslumbre cromático 

Da abertura inocente das flores 

Eu sei que tu não estás a falar 

Mas para mim a tua boca continua intacta e doce 

E movimenta-se em minha direcção 

Como um eterno rio que flui 

Através do vidro que te protege dos bichos 

E do calor do Verão 

E sabes, Mãe? 

Como num passe de mágica 

Deixo de me sentir sozinho 

E sinto-me capaz de decifrar as estrelas 

Bicho forte, preto,

com garras que prendem

e sugam todas as forças do meu ser,

empurram-me para um sítio onde não quero estar

mas ao qual volto vezes sem conta.

​Escuro, frio, húmido, sem vida…

Quero libertar-me,

tenho que conseguir resistir.

​Esgaravato e subo muito alto

para voltar à luz.

A escalada leva-me a uma claridade ténue

com a qual me contento.

​Cá estou, uma vez mais, a VER.

​Medo…

Pânico…

Terror…

Escuridão…

​Começa tudo outra vez.

Se eu não chorasse,
talvez secasse por dentro.

Talvez me tornasse
em terra dura,
incapaz de deixar crescer
seja o que for.

Mas eu choro.

O meu jardim
não é feito só de primavera.
Há folhas caídas,
há ramos partidos,
há dias de céu fechado.

Mas também há flores,
que só existem
porque um dia
não tive medo
de deixar a chuva cair.

E se alguém me perguntar
porque choro, direi apenas:

Estou a regar o que em mim
ainda quer crescer.

Sei lá! Há quem tenha a nobreza

De nos ajudar. Que riqueza!

Apoiar nossas vitórias

Deixar falhas transitórias

Sei lá! Há quem cause lágrimas

Faz cair, calca autoestimas

Ovaciona nossos fracassos

Deixa estigmas e cansaços

Sei lá! Há que se aloja na alma

Simplesmente como luz calma

Planta perdões e fragrâncias

Ergue jardim de tolerâncias

Passa, veloz, despercebido

Fica para sempre retido

Muito me pergunto sobre

O preço da minha eleita paz,

Se não é de ferro parece cobre

Pelo cheiro que me move e traz

Ao sossego desta maravilhosa vida.

Tem um sabor amargo, esta querida

Amiga paz, pelo que prova diariamente

Quando dança, tão pouco prudente,

Nos meus dois ombros enrijecidos

Como flores, ao vento, na primavera.

Primeiro o caos e depois a bonança,

Sendo essa birra tanto de criança

Que até as arvores são arrancadas,

Em depressões naturais, tais bancadas

De Deus e manifestações letais dos sons.

Podes ser dos maus ou dos bons,

Contribuindo para a construção do cenário

Ideal e também convém sair do armário

E mostrar vulnerabilidade, pois assim

Fazes o que é melhor para ti e para mim.

O ulmeiro está nu
no caminho do frio.

Longe do véu generoso das folhas,
os galhos tomam o ar aberto:
despidos, desordenados, inteiros em si,
erguidos na tela húmida do firmamento.

Desfolhado, alheio ao tempo,
não se compara às faias e aos carvalhos,
não julga o nevoeiro, não finge ser árvore;
apenas espreguiça as raízes
e confirma a seiva na terra escura.

Sob o vento áspero, na sombra profunda,
ou subitamente perfumado pelo canto dos pássaros,
o velho ulmeiro não precisa de voz.

Sabe, sem saber porquê,
que tudo o que o define
habita cada galho despido,
pincelado serenamente
no linho orvalhado do inverno.

Mesmo quando o corpo pesa

como se tivesse atravessado a noite

a nadar contra sonhos antigos.

 

Levanta-te

como quem não sabe ainda

se o dia vai ser abrigo

ou tempestade.

 

Depois: abre a janela.

O mundo não precisa estar bonito –

basta estar vivo.

Uma nuvem em viagem,

um pássaro distraído,

o rumor distante de alguém a começar.

 

Terceiro: carrega contigo pequenas coisas:

uma memória quente,

um nome querido,

uma esperança teimosa.

 

Quarto: repara.

Há milagres mínimos espalhados:

a luz encostada às paredes,

o cheiro da terra depois da chuva,

o som das folhas a conversar baixinho.

 

Nada disto é grandioso –

mas é suficiente.

 

Quinto: não tenhas pressa.

Até as árvores levam anos

a aprender a ser árvores.

Até os rios hesitam

antes de encontrar o mar.

 

Sexto: ri sempre que puderes.

O riso é uma porta escondida

que abre sem chave.

 

E por fim – o mais importante:

 

continuar vivo

não é resistir ao tempo –

 

é guardar dentro do peito

uma claridade pequena

 

e protegê-la

 

como quem leva nas mãos

a primeira chama

da história do mundo.

NOTAS:

1. Cada utilizador tem direito a um voto por dia (24h) no seu poema favorito, com bloqueio definido por Internet Protocol (IP). Significa que se vários utilizadores partilharem a mesma ligação de Internet, só será possível efetivar um voto por dia através da respetiva ligação. O limite de votos é definido por IP e não por dispositivo (telemóvel, computador ou tablet).

Exemplo: no dia 1, às 15:00, a Maria utilizou um dispositivo em casa, ligado à rede local, para votar no seu poema favorito. Assim, só poderá repetir o voto – a partir da mesma rede local – quando passarem 24 horas, ou seja, no dia 2, após as 15:01;

3. Os resultados serão apresentados conforme estipulado na alínea a) do ponto 1 do artigo 3.º. Os 10 (dez) poemas vencedores são divulgados nas redes sociais da Creative Books até ao quinto dia útil do mês seguinte;

4. Para confirmar a validação do seu voto, verifique o sinal verde no topo do pop-up de votação.

VENCEDORES

VOTE NO SEU POEMA FAVORITO: